Judô Amazonense no chão. Eleição é marcada por denúncias de irregularidades

Esportes

Manaus (AM) – A eleição da Federação de Judô do Amazonas (FEJAMA), marcada para o dia 7 de maio, ocorre sob forte clima de desconfiança. Documentos, impugnações formais e relatos de integrantes da modalidade apontam possíveis irregularidades no processo eleitoral conduzido após intervenção externa, levantando dúvidas sobre a transparência e a legitimidade do pleito.

De sucessão definida à intervenção

A crise teve início no processo eleitoral de 2024, quando o então presidente Davi Azevedo indicou a professora Denise Oliveira como sucessora, dentro das regras estatutárias.

Após análise da Comissão Eleitoral, que identificou inconsistências em associações filiadas, a chapa liderada por Denise foi declarada eleita em 31 de março.

O resultado, no entanto, foi contestado judicialmente por integrantes da chapa opositora, que recorreram à Justiça comum — movimento criticado por membros da modalidade, que defendem que disputas esportivas devem ser resolvidas na esfera da Justiça Desportiva.

A judicialização levou à nomeação de um interventor pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ), alterando o rumo do processo.

Novo pleito e questionamentos sobre o colégio eleitoral

Sob intervenção, um novo processo eleitoral foi instaurado. Ata da Comissão Eleitoral, de 15 de abril de 2026, lista 17 entidades aptas a votar.

O documento passou a ser contestado após a apresentação de impugnações formais que questionam a inclusão de entidades que, segundo os autores, não atendem aos critérios estatutários para filiação definitiva — requisito obrigatório para direito a voto.

Entre os pontos levantados estão organizações com CNPJ de natureza empresarial e sem estatuto esportivo próprio, o que, de acordo com os questionamentos, impediria a participação no colégio eleitoral.

Alguns dos diversos documentos que comprovam a grande baderna institucionalizada, traduzida na intervenção feita pela CBJ na FEJAMA

Impugnações sem resposta de mérito

Documentos mostram que pelo menos três pedidos de impugnação foram protocolados.

Em um deles, o sensei Pablo Maria, Kodansha 7º Dan, solicita a exclusão de entidade sob alegação de ausência de natureza esportiva e irregularidade estatutária.

Apesar das contestações, as entidades permaneceram na lista oficial.

Respostas da Comissão Eleitoral não enfrentam diretamente o mérito das denúncias, limitando-se a comunicações processuais, o que ampliou a insatisfação entre integrantes do judô.

Possível conflito de interesse é levantado

Outro ponto em debate envolve a presença da Associação Fort Judô Clube entre as entidades com direito a voto.

A organização possui registro ativo sob o CNPJ 06.126.391/0001-71, com atuação na promoção de atividades esportivas em Manaus.

Integrantes da modalidade levantam questionamentos sobre uma possível ligação entre a entidade e o interventor responsável pelo processo eleitoral. Até o momento, não há confirmação oficial dessa relação.

Nome de dirigente experiente entra no processo

Outro elemento que chamou atenção foi a participação de um ex-dirigente esportivo , de nome reconhecido e respeitado no cenário esportivo do Amazonas.

Segundo relatos, ele foi convidado a contribuir com o processo eleitoral e aceitou o convite sem conhecimento prévio das controvérsias e irregularidades que envolvem a eleição.

Nos bastidores, integrantes da modalidade avaliam que a presença de um nome de relevância fatalmente deverá conferir maior legitimidade ao processo em curso, que vem sendo alvo de questionamentos.

Denise Oliveira desiste de disputar

Diante do cenário, a professora Denise Oliveira, anteriormente declarada eleita dentro das regras estatutárias, decidiu não se inscrever no novo pleito.

A decisão ocorre enquanto ainda aguarda posicionamento sobre impugnações apresentadas.

“Não me inscrevi porque não compactuo com tudo isso que foi feito. Nós fizemos uma denúncia e impugnamos a outra chapa e até hoje não apresentaram justificativa. Está tudo sendo conduzido para a vitória da chapa que denunciamos”, afirmou.

“Se o candidato já está escolhido, para que eu entrar?”, questionou.

Apesar das críticas, Denise reafirmou seu compromisso com o esporte:

“Torço para que façam uma excelente administração, pois amo o judô e sempre vou querer o melhor para o meu esporte.”

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Documentos que ilustram o silêncio proposital, em favor do desrespeito ao estatuto da FEJAMA

Clima de tensão e silêncio institucional

O sensei Pablo Maria também criticou a condução do processo, destacando preocupação com a legitimidade da eleição.

A crise já impacta diretamente o judô amazonense, com prejuízos a atletas, competições e projetos esportivos.

Até o momento, não há manifestação pública detalhada da Comissão Eleitoral da FEJAMA nem da Confederação Brasileira de Judô sobre as impugnações e os critérios adotados.

Eleição sob desconfiança

Com impugnações em aberto, questionamentos sobre o colégio eleitoral e a desistência de uma das principais lideranças da modalidade, a eleição da FEJAMA ocorre sob forte desconfiança.

Para integrantes do meio esportivo, a falta de clareza no processo pode comprometer não apenas o resultado do pleito, mas a credibilidade institucional da federação e o futuro do judô no Amazonas.

 

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