Governo Lula pode rever fim do subsídio à gasolina

Política
Ricardo Stuckert/PR

O governo federal avalia adiar a retirada gradual do subsídio de R$ 0,44 por litro concedido à gasolina após a retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que voltou a pressionar os preços do petróleo no mercado internacional. A medida está sendo discutida por integrantes dos ministérios da Fazenda e do Planejamento e Orçamento, que analisam o impacto da instabilidade no Oriente Médio sobre os combustíveis no Brasil.

A possibilidade de rever o cronograma ganhou força depois das novas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar os ataques contra o Irã. O cenário elevou as incertezas no mercado global e reacendeu o temor de uma alta mais intensa nas cotações do petróleo, o que pode refletir diretamente no preço da gasolina.

A equipe econômica pretendia iniciar, nos próximos dias, a redução parcial da subvenção paga a produtores e importadores de gasolina. No entanto, diante da valorização do petróleo, o governo passou a considerar o adiamento da medida para evitar um impacto imediato sobre os preços cobrados dos consumidores.

Na semana passada, o governo já deu início à retirada dos incentivos aos combustíveis ao extinguir a subvenção de R$ 0,35 por litro destinada ao diesel. O benefício havia sido criado em maio como parte do pacote de ações para reduzir os efeitos da disparada do petróleo causada pelos conflitos no Oriente Médio.

Na ocasião, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo acompanharia atentamente a evolução do cenário internacional antes de retirar os demais subsídios. Segundo ele, a intenção é reavaliar tanto o benefício de R$ 1,12 por litro ainda concedido ao diesel quanto a subvenção de R$ 0,44 por litro da gasolina.

A estratégia da equipe econômica é promover a retirada dos incentivos de forma gradual, desde que as condições do mercado permitam. A avaliação é que a manutenção temporária da subvenção pode evitar aumentos mais expressivos nos combustíveis caso o petróleo continue em trajetória de alta.

As preocupações cresceram após a nova escalada das tensões entre Washington e Teerã. Nesta quarta-feira (8), o barril do petróleo Brent registrou forte valorização e chegou a subir mais de 5%, sendo negociado próximo dos US$ 80, refletindo o receio dos investidores quanto a possíveis impactos sobre a oferta mundial de petróleo.

O governo monitora diariamente o comportamento das cotações internacionais antes de tomar uma decisão definitiva sobre o fim do benefício. A expectativa é de que uma definição seja anunciada somente após uma nova avaliação do cenário geopolítico e dos reflexos sobre o mercado de combustíveis.

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