David Almeida reage à operação da PC, defende Anabela e acusa perseguição política; governo se defende

Política

Após lançar pré-candidatura ao Governo do Amazonas, prefeito diz ter sido “ameaçado” desde outubro, afirma que vai provar inocência da ex-chefe de gabinete e eleva o tom contra adversários.

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), declarou nesta segunda-feira, 2, que a operação “Erga Omnes”, deflagrada pela Polícia Civil do Amazonas é cortina de fumaça”, criada para perseguir e atingir sua ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso Freitas.

David defendeu a ex-servidora e disse que já tinha conhecimento da investigação desde outubro do ano passado, quando teria sido informado sobre a operação na casa do senador Omar Aziz.

O prefeito afirmou que se sentiu “ameaçado e intimidado” naquele momento e que essa foi a razão para retirar seu apoio ao projeto político do parlamentar.

“O governador também sabia. O que está acontecendo é que o Estado está sendo instrumentalizado para me atingir politicamente. Que operação é essa que não apresenta um líder do tráfico? Até hoje não conseguimos acessar os autos. Isso é cortina de fumaça”, indagou o prefeito, ao criticar o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP) e responsável pela ação.

David Almeida acusou, ainda, o governador e integrantes da cúpula da segurança pública estadual, respaldado em lamentável manifestação do Supremo Tribunal Federal (STF) acostada em processo em desfavor do mesmo.

“Segundo o STJ, o governador é chefe de uma quadrilha. Fazem parte dessa organização o delegado Marcelo Martins e o secretário de Segurança. No governo Wilson Lima já houve 11 operações da Polícia Federal”, afirmou.

Ao comentar a prisão de Anabela Cardoso Freitas, o prefeito disse manter “total confiança” na ex-chefe de gabinete e garantiu que irá provar sua inocência. Ele explicou que, até o momento, não está arcando com honorários advocatícios, mas não descartou prestar apoio jurídico, caso necessário.

“Eu não jogo ninguém na água. Ela tem familiares advogados e assessoria própria. Se precisar da nossa ajuda, vamos ajudar sim”, disse.

A investigação aponta movimentação financeira de cerca de R$ 1,5 milhão ao longo de cinco anos. David saiu em defesa da ex-servidora e argumentou que os valores seriam compatíveis com a renda dela, destacando que Anabela é viúva de ex-deputado, recebe pensão, é investigadora da Polícia Civil e também servidora municipal.

Segundo o prefeito, somadas as fontes de renda, Anabela teria cerca de R$ 70 mil mensais, o que justificaria a movimentação bancária apontada no inquérito. Durante a coletiva, ele chegou a fazer contas em público para sustentar o argumento.

David Almeida afirmou ainda que Anabela continuará integrando seu círculo político na medida que a operação tem motivação desviar o foco do combate ao tráfico de drogas. Para ele, a decisão judicial não apresenta, de forma clara, os fundamentos que justificariam a prisão preventiva da ex-chefe de gabinete.

Em nota oficial, Governo do Amazonas repudiou as declarações do prefeito.

De acordo com a nota, é inaceitável que, diante de investigações sérias conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, que atua com autonomia e respaldo legal, o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política para desviar o foco dos fatos.

A nota diz, ainda, que o governo seguirá trabalhando com responsabilidade, fortalecendo a Segurança Pública e respeitando a autonomia dos órgãos de investigação e do Poder Judiciário.

Leia na íntegra

NOTA OFICIAL

O Governo do Amazonas repudia com veemência as declarações feitas pelo prefeito David Almeida, que optou por atacar o Governo, o Governador do Estado e as Forças de Segurança Pública de forma irresponsável e sem qualquer comprovação.

É inaceitável que, diante de investigações sérias conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, que atua com autonomia e respaldo legal, o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política para desviar o foco dos fatos.

A Polícia Civil do Amazonas não age por motivação política. Age com base em provas, procedimentos legais e responsabilidade técnica. Todas as medidas adotadas seguem o devido processo legal, e eventuais prisões só ocorrem com autorização do Poder Judiciário. Sugerir o contrário, sem apresentar qualquer evidência, é uma tentativa leviana de desacreditar o trabalho de servidores públicos que dedicam suas vidas à segurança da população.

O momento exige equilíbrio e maturidade. É compreensível que o prefeito esteja abalado diante das circunstâncias que envolvem pessoas de sua confiança, em investigações relacionadas ao crime organizado. Porém, o Governo do Amazonas não permitirá que a verdade seja distorcida para atender interesses políticos ou eleitorais.

O Governo do Estado seguirá trabalhando com responsabilidade, fortalecendo a Segurança Pública e respeitando a autonomia dos órgãos de investigação e do Poder Judiciário.

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