Dólar cai e Bolsa bate recorde com capital estrangeiro e Trump

Economia

Moeda americana registrou recuo de 0,26%, cotada a R$ 5,15. O Ibovespa, principal índice da B3, superou a marca histórica de 191 mil pontos

Witthaya Prasongsin/Getty Images

O dólar à vista registrou queda de 0,26% frente ao real, cotado a R$ 5,15, nesta terça-feira (24/2). Já o Ibovespa, às 16h45, caminhava para bater novo recorde. Nesse horário, o principal índice da Bolsa brasileira (B3) subia 1,41%, aos 191.513,21 pontos. A última máxima do indicador foi atingida em 20 de fevereiro, aos 190.534,42 pontos.

Na avaliação de João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa Investimentos, o mercado brasileiro, em especial na B3, beneficiou-se do maior fluxo de de capital estrangeiro para o país.

A participação dos estrangeiros no volume financeiro da B3 já é de cerca de 62%. Os investidores institucionais (pessoas jurídicas que administram grandes volumes de capital de terceiros) detêm 23% desse quinhão e os individuais, 11%. O restante é dividido entre instituições financeiras e outras fontes de aportes.

Nesta quarta-feira, o Ibovespa também se valeu da volta da China do feriado do Ano Novo Lunar. A retomada dos negócios chineses puxou o preço de commodities.

Apetite por risco

Para Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar perdeu força no mundo num ambiente de maior disposição ao risco nos mercados globais, depois que os Estados Unidos anunciaram uma tarifa externa de 10%, abaixo do patamar anteriormente sinalizado. “Isso favoreceu o desempenho das bolsas no Brasil e no exterior”, diz.

Nesse contexto, acrescenta o analista, o Ibovespa renovou sua máxima histórica ao ultrapassar os 191 mil pontos, avançando de forma mais intensa que os índices americanos, sustentado principalmente pelo bom desempenho de empresas de grande peso no índice e pelo aumento da demanda estrangeira por ativos de países emergentes.

Recursos externos

“A entrada de recursos externos e o elevado diferencial de juros brasileiro seguiram como fatores relevantes de sustentação do real, contribuindo para o movimento de apreciação da moeda local frente ao dólar”, afirma Shahini.

Josias Bento, da GT Capital, observa que a queda global do dólar também reflete a tensão entre EUA e Irã. Isso além da questão das tarifas comerciais e do apetite por risco em países emergentes. “Nesse cenário, o Brasil é um dos portos mais seguros e com boas empresas, na comparação com emergentes como África do Sul, Turquia e México”, diz.

Regime de incertezas

O fato é que os mercado vivem num pesado regime de incertezas. Elas incluem o início da vigência das novas tarifas globais de 15% anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a tensão entre Washington e Teerã, além dos temores relação aos investimentos em inteligência artificial (IA) por parte das “big techs”, o que provocado fortes oscilações nas bolsas americanas.

Em relação às tarifas, o imbróglio é tal que a União Europeia suspendeu nesta segunda-feira (24/2) o processo de implementação do acordo comercial entre o bloco e os EUA. A medida foi tomada pela Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu e será mantida até que o novo regime tarifário seja esclarecido.

Vaivém tarifário

Esclarecer o que está acontecendo, note-se, não é tarefa tão simples. Na sexta-feira (20/2), a Suprema Corte dos EUA derrubou o tarifaço de Trump, que vinha sendo praticado desde 2025. No sábado (21/2), o republicano anunciou que, apesar da decisão do tribunal, fixaria sobretaxas globais de 10%. No domingo (22/2), ele aumentou esse percentual para 15%.

Para complicar o quadro, nesta terça-feira entrou em vigor uma nota tarifa global, mas de 10%. Ela tem um prazo de duração de 150 dias, que pode, no entanto, ser ampliado.

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