Veja como deputados do AM votaram projeto que flexibiliza regras ambientais

Política

Entre os representantes do Amazonas, a maioria dos deputados votou a favor da proposta.

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (16) o projeto que cria a Lei Geral do Licenciamento Ambiental, conhecido por ambientalistas como o “PL da Devastação”. Entre os representantes do Amazonas, a maioria dos deputados votou a favor da proposta. Veja abaixo como cada um se posicionou.

O texto, que tramitava há mais de duas décadas no Congresso, foi aprovado por 267 votos favoráveis, 116 contrários e agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pode vetar trechos da proposta.

A nova lei muda completamente o processo de obtenção de licenças ambientais no Brasil. Segundo seus defensores, como a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o objetivo é desburocratizar e acelerar obras consideradas estratégicas.

Entre os parlamentares amazonenses, seis votaram a favor do projeto:

  • Capitão Alberto Neto (PL);
  • Átila Lins (PSD);
  • Sidney Leite (PSD);
  • Silas Câmara (Republicanos);
  • Adail Filho (Republicanos);
  • Fausto Santos Jr. (União).

 

Apenas Amom Mandel (Cidadania) votou contra. Pauderney Avelino (União) esteve ausente da votação.

Como votaram os senadores na aprovação da lei geral do licenciamento ambiental — Foto: Reprodução/TV Senado

Como votaram os senadores na aprovação da lei geral do licenciamento ambiental — Foto: Reprodução/TV Senado

Quais são as novas regras?

 

A nova legislação traz mudanças profundas em sete eixos principais:

  • Criação de Licença Ambiental Especial (LAE): autoriza obras classificadas como “estratégicas” pelo governo, mesmo que tenham alto potencial de degradação. A aprovação será acelerada: o prazo máximo para emissão é de 12 meses, com validade de cinco a dez anos
  • Dispensa de licenciamento: o texto elimina a necessidade de licença para a ampliação de estradas, atividades agropecuárias, tratamento de água e esgoto, e pequenas barragens de irrigação. Apenas aterros sanitários seguem exigindo permissão ambiental
  • Renovação automática: permite que licenças ambientais sejam renovadas automaticamente por meio de autodeclaração, desde que não haja mudanças na atividade ou nas regras
  • Autodeclaração nacionalizada: o empreendedor pode declarar pela internet que cumpre requisitos, sem análise prévia do órgão ambiental. O modelo já usado em alguns estados agora valerá para todo o país, inclusive para empreendimentos de médio porte com potencial poluidor
  • Enfraquecimento do Ibama e do Conama: o projeto retira poderes desses órgãos federais, transferindo a responsabilidade do licenciamento para estados e municípios. Também anula partes da Lei da Mata Atlântica, facilitando o desmatamento de florestas primárias e secundárias
  • Desproteção de comunidades tradicionais: terras indígenas e territórios quilombolas não homologados deixam de ser consideradas áreas protegidas para efeitos de licenciamento. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), a mudança afeta cerca de 18 milhões de hectares, o equivalente ao território do Paraná
  • Risco a sítios arqueológicos: o projeto restringe a atuação do Iphan, que só poderá se manifestar se houver bens históricos já identificados no local. A Sociedade de Arqueologia Brasileira alerta que isso pode causar perdas irreversíveis (leia mais).

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *