Debate ao Senado tem duro confronto entre Eduardo Braga e Wilson Lima sobre saúde no Amazonas

Política

Senador cobrou hospitais, maternidades e UBSs construídos durante a gestão do ex-governador, enquanto Wilson reagiu com críticas à BR-319; debate da TV Norte também teve embates sobre Sisreg e Porto de Manaus.

O debate entre os candidatos ao Senado promovido nesta quinta-feira (17) pela TV Norte teve na saúde pública um dos momentos de maior confronto. Eduardo Braga (MDB) partiu para a ofensiva contra Wilson Lima (Avante), questionando diretamente as entregas realizadas no setor durante a gestão do adversário e comparando o legado das duas administrações.

O encontro também teve embates envolvendo BR-319, Sisreg, segurança pública e Porto de Manaus, além de um momento inusitado protagonizado pelo senador Plínio Valério (PSDB) e pelo candidato indígena Ismael Munduruku (Rede).

“Qual foi o hospital que Wilson construiu?”

Ao entrar no tema da saúde, Braga adotou uma estratégia de comparação entre governos e reivindicou para sua administração e a de aliados a construção de algumas das principais unidades hospitalares do Amazonas.

“Eu sou da boa política. Ele fala do 28 de Agosto, sabe quem construiu o 28 de Agosto? Eu. Ele fala do Delphina Aziz, sabe quem construiu o Delphina Aziz? Omar Aziz”, declarou Braga.

O confronto ganhou temperatura quando o senador passou a questionar diretamente Wilson Lima sobre hospitais e outras unidades de saúde construídas durante sua administração.

“Qual foi o hospital que o Wilson Lima construiu? Nenhum. Qual foi a UBS que o Wilson Lima construiu no interior do Estado, fluvial, por exemplo? Nenhuma. Qual foi o pronto-socorro? Nenhum. Qual foi a maternidade? Nenhuma”, disparou Braga.

As afirmações foram feitas pelo candidato durante o debate e apresentadas como parte de sua crítica à administração do adversário.

Braga continuou:

“Wilson, você não fez nada na saúde. O povo reclama porque você não fez nada.”

Em outro momento, reforçou o ataque:

“Wilson, é uma verdade, o sistema de saúde do Estado do Amazonas vai muito mal, e você sabe disso.”

Braga compara governos

O senador também recorreu à própria passagem pelo Governo do Amazonas para estabelecer uma comparação direta com Wilson Lima.

“Eu construí 42 hospitais, você não construiu nenhum. Eu construí SPAs, policlínicas, UBSs fluviais. Eu fiz funcionar a saúde pública do Estado do Amazonas como nunca havia funcionado”, afirmou Braga.

A referência às UBSs fluviais levou o confronto para uma questão especialmente relevante no interior amazonense, onde as grandes distâncias e a dependência dos rios tornam as embarcações de atendimento uma das alternativas para levar serviços de saúde às comunidades ribeirinhas.

Braga também citou R$ 245 milhões que, segundo ele, teriam sido disponibilizados para a saúde durante a gestão de Wilson Lima, e questionou os resultados obtidos com esses recursos.

Sisreg entra no confronto

A fila do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg) também virou munição.

Braga afirmou que pretende atuar no Senado para conseguir recursos destinados à redução da espera por consultas, exames e procedimentos.

“Nós vamos ter que acabar com essa fila do Sisreg”, disse.

Logo depois, dirigiu-se diretamente a Wilson Lima:

“Amigo, você tem uma dívida com o homem lá de cima, porque tem muita gente que está sofrendo, sofrendo na fila do Sisreg.”

Braga afirmou ainda que pretende apresentar, ao lado do senador Plínio Valério, uma proposta para direcionar emendas parlamentares ao enfrentamento da fila.

Recursos para saúde viram cobrança

Outro momento do confronto ocorreu quando Braga questionou Wilson sobre recursos que, segundo o senador, foram destinados ao Fundo Estadual de Saúde durante a gestão do adversário.

“Eu coloquei recursos no Fundo Estadual de Saúde, no teu governo, e não chegou no Getúlio Vargas, não chegou na UPA de Tabatinga. O que você tem a dizer sobre o dinheiro que nós colocamos no Fundo Estadual?”, questionou.

A cobrança colocou a execução dos recursos destinados à saúde no centro da discussão entre os dois candidatos.

Wilson reage com BR-319

Wilson Lima, por sua vez, procurou levar o confronto para outra área sensível ao Amazonas: a BR-319. O ex-governador criticou a situação da rodovia e cobrou resultados do grupo político de Braga.

“É só lama”, afirmou Wilson.

“Vamos mais uma vez ser enganados”, acrescentou.

O candidato também criticou as intervenções realizadas na rodovia.

“O tratamento superficial duplo ou triplo não dura três invernos. Vai ter que refazer tudo de novo”, declarou, referindo-se aos trabalhos realizados pelo governo federal na BR-319.

“Fila da morte” gera outro embate

Wilson Lima também destacou ações de sua administração, como o Prato Cidadão e iniciativas de abastecimento de água potável no interior.

O debate voltou a esquentar quando Capitão Alberto Neto atacou o ex-governador e utilizou a expressão “fila da morte”. Wilson pediu direito de resposta, mas não foi atendido.

A acusação, porém, teve reação ainda no mesmo bloco. Wilson direcionou o contra-ataque a Alberto Neto:

“Fila da morte é o que está acontecendo hoje no Porto de Manaus, onde os seus usuários são ‘subtraídos’ pelo seu suplente para sustentar a sua candidatura.”

Alberto Neto não respondeu à declaração naquele momento. Alessandro Toniza, conhecido como Alessandro Bronze, é o atual diretor do Porto de Manaus.

Plínio chama Munduruku de “parente”

Em meio aos confrontos, o debate teve também um momento mais descontraído.

Questionado pelo candidato indígena Ismael Munduruku (Rede), Plínio Valério respondeu:

“Permita-me que lhe chame de parente.”

Plínio explicou que é neto de uma mulher indígena Kanamari e utilizou o termo “parente”, empregado entre diferentes povos indígenas.

O senador afirmou ainda ter enfrentado a Polícia Federal em Manicoré, a Funai em Barcelos e a ministra Marina Silva durante a CPI das ONGs.

Além dos embates envolvendo Braga e Wilson, Ismael Munduruku e a professora Maria Evany do Nascimento (PSOL) também participaram dos principais confrontos do encontro.

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