Petróleo volta a disparar após ameaça de Trump de bloquear Ormuz

Economia

Contrato futuro para maio do barril de petróleo WTI avançava 7,8%, negociado a US$ 104,12. Já o barril do brent subia 7,55%, a US$ 102,39

Alex Brandon-Pool/Getty Images

Os preços internacionais do petróleo voltaram a disparar, nesta segunda-feira (13/4), com o mercado novamente em alerta após o fracasso das negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.

Com a nova escalada nas tensões no Oriente Médio, diante da ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de bloquear totalmente o Estreito de Ormuz, a cotação do petróleo voltou a superar a marca de US$ 100 o barril pela manhã.

Ormuz é o canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

O que aconteceu

  • Por volta das 9h15 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 7,82% e era negociado a US$ 104,12.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia 7,55%, a US$ 102,39.
  • Um pouco mais cedo, às 9 horas, o barril do petróleo WTI registrava alta de 7,91%, cotado a US$ 104,21, enquanto o brent subia 7,43%, a US$ 102,27.

Trump diz que fechará Ormuz

O Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês) anunciou, nesse domingo (12/4), que os militares norte-americanos implementarão um “bloqueio a todo tráfego marítimo” no Estreito de Ormuz, a partir das 11h (horário de Brasília) desta segunda-feira.

A decisão segue uma ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, após o fracasso de se chegar a um acordo sobre a questão nuclear, discutida em Islamabad, no Paquistão.

“O bloqueio será aplicado imparcialmente contra embarcações de todas as nações que entrarem ou saírem de portos e áreas costeiras iranianas, incluindo todos os portos iranianos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã”, diz a publicação do Centcom.

A nova diretriz informada por Trump autoriza a Marinha dos EUA a interceptar “qualquer navio em águas internacionais que tenha pago taxas ao governo iraniano para navegar na região”.

Anteriormente, o Irã havia fechado a passagem do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo usado no planeta. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento.

Com o fracasso das negociações de um acordo de paz, Trump decidiu subir o tom e garantir que nem mesmo os petroleiros do Irã atravessem a passagem de Ormuz.

Irã rebate ameaça de Trump

A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC, na sigla em inglês) rebateu a ameaça feita por Trump. “Qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz sob qualquer pretexto ou desculpa será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada com rigor e firmeza”, alertou a IRGC, em uma publicação de caráter semi-oficial divulgada pela estatal de comunicação do Irã, a Fars News.

Ainda na publicação, a IRGC frisa que a passagem está sob “controle e gestão inteligentes” e aberta para embarcações civis em uma “passagem segura”, mas que estas precisam cumprir as normas impostas.

Um entendimento sobre o Estreito de Ormuz era um dos pontos mais delicados nas negociações fracassadas de paz, mas Trump também destacou os diálogos sobre a questão nuclear. “O único ponto que realmente importava, o nuclear, não foi (acordado)”, afirmou o republicano.

Anteriormente, o Irã havia fechado a passagem do Estreito de Ormuz. A IRGC permitia apenas a passagem de petroleiros de países aliados e sob pagamento. Com o fracasso das negociações de um acordo de paz, Trump decidiu subir o tom e garantir que nem mesmo os petroleiros do Irã atravessem a passagem de Ormuz.

Trump culpa o Irã

Trump também culpou o Irã pelo fracasso nas negociações de paz. Segundo o republicano, o país foi “inflexível” na principal demanda americana no acordo: o fim do programa nuclear iraniano.

“Meus três representantes foram muito amigáveis ​​e respeitosos com os representantes do Irã, mas isso não importa, porque eles foram inflexíveis quanto à questão mais importante e, como sempre disse desde o início, há muitos anos, o Irã nunca terá uma arma nuclear”, escreveu.

A reunião entre autoridades dos dois países ocorreu entre sábado (11/4) e domingo (12/4) em Islamabad, no Paquistão, e durou cerca de 20 horas. O encontro tinha como objetivo avançar nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas terminou sem entendimento.

“O Irã não está disposto a abrir mão de suas ambições nucleares! Em muitos aspectos, os pontos acordados são melhores do que continuarmos nossas operações militares até o fim, mas nada disso importa comparado a permitir que a energia nuclear esteja nas mãos de um povo tão volátil, difícil e imprevisível”, acrescentou Trump.

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