Brasil proíbe apostas em esportes e política em mercados preditivos a partir de maio

Economia

Nova resolução do CMN restringe contratos a temas econômicos e financeiros e fecha brecha regulatória no país

As novas regras constam da Resolução do CMN 5.298 (Bianca Diniz/Cenarium)

Brasil passará a proibir, a partir de maio, apostas sobre temas como esportes, política e entretenimento em plataformas de mercado preditivo. A medida foi aprovada pelo Conselho Monetário Nacional e busca estabelecer regras mais claras para esse tipo de atividade no país.

As novas diretrizes estão previstas na Resolução nº 5.298, publicada após reunião realizada na quinta-feira (23). Com isso, apenas contratos ligados a indicadores econômicos e financeiros continuarão permitidos.

O chamado mercado preditivo funciona como uma espécie de bolsa baseada em eventos futuros, onde usuários compram e vendem contratos a partir de perguntas como “vai acontecer ou não?”. Diferente das apostas tradicionais, nesses ambientes os próprios participantes negociam entre si, e os contratos são tratados como derivativos financeiros.

Celular com o site de uma plataforma de aposta (Joédson Alves/Agência Brasil)

Com a nova regulamentação, passam a ser proibidos contratos relacionados a:

  • Resultados esportivos;
  • Eleições e temas políticos;
  • Reality shows e entretenimento;
  • Eventos sociais e culturais.

A restrição vale inclusive para plataformas internacionais que ofereçam esse tipo de serviço a usuários brasileiros.

Por outro lado, continuam liberadas negociações envolvendo variáveis como:

  • Taxa de juros;
  • Inflação;
  • Câmbio;
  • Commodities, como petróleo.

Essas operações seguem sob supervisão da Comissão de Valores Mobiliários, responsável por regular o mercado financeiro.

Segundo o governo, a decisão foi tomada após o entendimento de que apostas sobre eventos não financeiros funcionam, na prática, como jogos de azar, e não como investimentos. Nesse contexto, esse tipo de atividade deve seguir as regras das chamadas bets, que exigem licença do Ministério da Fazenda, pagamento de taxas e mecanismos de proteção ao usuário.

A medida também impacta diretamente empresas do setor, especialmente plataformas internacionais que operavam com apostas sobre eventos globais. A tendência é de redução significativa desse mercado no país.

Pessoa observa página de jogo de apostas no celular (Reprodução/Redes Sociais)

Por outro lado, o governo afirma que a mudança busca:

  • Reduzir riscos aos investidores;
  • Conter a especulação excessiva;
  • Organizar um setor em crescimento sem regulamentação clara.

A regulamentação complementar ficará a cargo da CVM, que também será responsável pela fiscalização das novas regras.

As mudanças entram em vigor no dia 4 de maio e fazem parte de um movimento mais amplo de organização do mercado de apostas e produtos financeiros no Brasil.

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