Caso foi descoberto após auditoria interna apontar desfalque superior a R$ 17 mil; ex-servidor alegou vício em jogos

Um ex-empregado da Caixa Econômica Federal, identificado como Patrick Barbosa Mira, de 38 anos, está sendo processado pela Justiça Federal após ser acusado de desviar dinheiro da agência bancária onde trabalhava para realizar apostas on-line.
O caso tramita na 6ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Amapá e ainda está em fase inicial, sem decisão definitiva da Justiça.
Segundo informações do processo, a irregularidade foi descoberta no dia 7 de janeiro de 2025, durante uma conferência interna realizada na Agência Pacoval, em Macapá. A fiscalização identificou inicialmente um desfalque de R$ 17.238,24 no caixa sob responsabilidade direta do então funcionário, que exercia a função de técnico bancário com atribuições de caixa e tesoureiro.
De acordo com os autos, Patrick teria admitido, durante procedimento administrativo interno, que utilizou os recursos para fins pessoais devido ao vício em jogos de aposta on-line. O processo aponta que ele realizava depósitos em espécie na conta bancária da mãe e, posteriormente, transferia os valores para si mesmo via Pix para alimentar as apostas.
Ainda conforme a investigação, o ex-funcionário também teria manipulado os fechamentos diários do caixa para esconder o rombo financeiro, inserindo valores fictícios nos registros internos da agência. O documento cita ainda que apenas o malote administrado por ele possuía cadeado, o que dificultava a fiscalização de rotina.
Demissão por justa causa
A Caixa instaurou um Processo Disciplinar e Civil (PDC) para apurar o caso. Ao fim da investigação administrativa, Patrick foi demitido por justa causa. A decisão foi tomada por unanimidade pelo Conselho Disciplinar da instituição e posteriormente mantida após recurso apresentado pela defesa, em setembro de 2025.
Além da demissão, o ex-funcionário passou a responder administrativamente pelo ressarcimento do prejuízo causado à instituição financeira. O valor atualizado da dívida chegou a R$ 19.346,36 até dezembro de 2025 e agora é cobrado judicialmente.
Durante a defesa administrativa, os advogados alegaram que Patrick sofria de ludopatia, transtorno caracterizado pelo vício em jogos. Apesar disso, os conselhos responsáveis pelo julgamento entenderam que os atos foram praticados de forma consciente e planejada.
Na ação judicial, a Caixa sustenta que houve enriquecimento ilícito e prejuízo ao patrimônio público, enquadrando a conduta na Lei de Improbidade Administrativa.
A instituição pede à Justiça o ressarcimento integral do valor atualizado, aplicação de multa civil, suspensão dos direitos políticos do acusado por até 12 anos e a indisponibilidade de bens. Também foi solicitado segredo de justiça devido ao uso de dados bancários de terceiros no processo.
O caso foi protocolado em março de 2026 e aguarda análise inicial do Judiciário.
Em depoimentos anexados ao processo, Patrick afirmou enfrentar dificuldades financeiras e relatou estar realizando tratamento psicológico e psiquiátrico. Ele também manifestou interesse em devolver os valores.
Por meio de nota, a Caixa Econômica Federal informou que está colaborando com as investigações e fornecendo documentos e informações solicitadas pelas autoridades competentes.
