
O governo federal adiou para a próxima semana a decisão sobre a retirada do subsídio de R$ 0,44 por litro da gasolina. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (9) pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que atribuiu a mudança de planos à recente alta dos preços do petróleo no mercado internacional, provocada pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã.
Segundo o ministro, a intenção inicial era anunciar a suspensão da subvenção ainda nesta semana, mas a instabilidade no cenário internacional levou a equipe econômica a reavaliar o momento da medida. A decisão final dependerá do comportamento das cotações do petróleo nos próximos dias.
Em entrevista à Rádio Gaúcha, Durigan afirmou que o governo continua trabalhando para retirar o benefício concedido à gasolina, seja de forma parcial ou integral, desde que o cenário permita. De acordo com ele, o objetivo é evitar que a retirada do subsídio provoque um aumento expressivo no preço dos combustíveis ao consumidor.
A possibilidade de adiamento já vinha sendo discutida pelo governo após a escalada das tensões no Oriente Médio frustrar as expectativas de um acordo de cessar-fogo na região. O conflito voltou a pressionar o mercado internacional de petróleo, elevando a preocupação com os impactos sobre a economia brasileira.
Durigan explicou que o governo acompanha diariamente a evolução do cenário externo e considera que a situação permanece instável. Segundo ele, mesmo diante de tentativas de negociação entre os países envolvidos, ainda há incertezas suficientes para influenciar diretamente o preço do barril de petróleo.
O ministro destacou que, desde o início do conflito, a estratégia do governo tem sido agir rapidamente para minimizar os efeitos da alta dos combustíveis sobre setores considerados estratégicos da economia. Entre as principais preocupações estão o transporte rodoviário de cargas, o escoamento da produção agrícola e a inflação dos alimentos.
Segundo Durigan, parte da arrecadação adicional obtida pelo Brasil com as exportações de petróleo cru foi utilizada para reduzir os impactos da alta internacional dos combustíveis no mercado interno.
Durante a entrevista, o ministro lembrou que o preço do barril de petróleo chegou a atingir cerca de US$ 120 no período de maior tensão geopolítica. Posteriormente, a cotação recuou para a faixa entre US$ 70 e US$ 72, mas voltou a subir e se aproximou de US$ 80 na quarta-feira (8), reforçando a necessidade de cautela antes da retirada da subvenção.
Enquanto mantém o benefício da gasolina, o governo já iniciou a redução gradual dos subsídios ao diesel. Na semana passada, foi eliminada uma parcela de R$ 0,35 por litro, reduzindo o benefício total de R$ 1,47 para R$ 1,12 por litro.
No mesmo período, a Petrobras anunciou uma redução de R$ 0,35 por litro no preço do diesel vendido às distribuidoras e encerrou um desconto temporário de igual valor. Com isso, o preço médio do diesel A comercializado pela estatal permaneceu em R$ 3,30 por litro.
O ministro afirmou que o restante da subvenção ao diesel também será analisado com cautela. Ele lembrou que o acordo firmado entre o governo federal e os estados para reduzir o ICMS sobre o combustível já foi encerrado, o que exige uma avaliação cuidadosa antes de novas mudanças.
Além das medidas relacionadas aos combustíveis fósseis, Durigan reiterou que o governo mantém os planos de ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética. Segundo ele, a mistura obrigatória de etanol na gasolina deverá passar de 30% para 32% nos próximos dias.
A reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que analisaria o aumento da mistura de etanol na quarta-feira (8), acabou sendo adiada em razão das mudanças registradas no mercado internacional de petróleo durante o encontro. Apesar disso, o ministro afirmou que o adiamento não altera a intenção do governo de ampliar o percentual de etanol na gasolina.
