
A Fórmula 1 entra em uma pausa obrigatória de cinco semanas com diversos pontos de atenção após o Grande Prêmio do Japão, disputado no último domingo (29).
A terceira corrida da nova era de motores da categoria expôs fragilidades da ampla reformulação do regulamento — considerada uma das maiores da história da Fórmula 1 — de uma forma que não havia sido observada nas etapas iniciais, na Austrália e na China.
As novas unidades de potência híbridas, agora divididas quase igualmente entre energia elétrica e combustão, introduziram um forte componente de gestão de energia nas corridas, criando desafios inéditos para os pilotos.
Entre as mudanças, os competidores passaram a adotar estratégias como o “lift and coast”, reduzindo a aceleração antes das curvas para permitir que o motor a combustão recarregue a bateria.
Além disso, os pilotos enfrentam o chamado “super-clipping”, quando o sistema redireciona automaticamente energia do motor para a bateria, reduzindo a velocidade do carro mesmo com o acelerador totalmente acionado.
O órgão regulador da categoria, a Federação Internacional de Automobilismo, informou que realizará reuniões durante a pausa de abril — motivada pelo cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita devido a conflitos na região — para avaliar os impactos das novas regras.
A entidade já havia feito ajustes pontuais nas regras de gerenciamento de energia para permitir que os pilotos forçassem mais durante a classificação em Suzuka.
“Quaisquer ajustes potenciais, especialmente relacionados ao gerenciamento de energia, exigem simulações cuidadosas e análises detalhadas”, afirmou a FIA em comunicado.
Pilotos se manifestam
O tetracampeão mundial Max Verstappen, da Red Bull, declarou estar “extremamente frustrado” após a classificação e revelou à BBC que considera seu futuro na categoria, já que não tem apreciado pilotar os novos carros.
Atual campeão, Lando Norris, da McLaren, também criticou a perda de desempenho: “Dói na alma ver a velocidade cair tanto, cerca de 56 km/h nas retas”, disse após o treino classificatório.
Já o bicampeão mundial Fernando Alonso, da Aston Martin, foi ainda mais direto: “A habilidade do piloto já não é tão necessária”, afirmou. Durante a pré-temporada no Bahrein, ele chegou a ironizar dizendo que até o chef da equipe poderia conduzir o carro.
Na Ferrari, Charles Leclerc demonstrou frustração com o algoritmo responsável por gerenciar o uso e a recuperação de energia. Pequenas intervenções do piloto, como aliviar o acelerador para corrigir uma derrapagem, podem interferir nos cálculos e resultar em perda inesperada de potência.
Apesar de críticas ao impacto no espetáculo das classificações, as novas regras têm tornado as corridas mais dinâmicas, com trocas constantes de posição à medida que os carros alternam entre uso e recuperação de energia elétrica.
Heptacampeão mundial, Lewis Hamilton, que vive uma recuperação após uma temporada difícil com a Ferrari no ano passado, elogiou o nível das disputas proporcionadas pelas mudanças.
Acidente de Bearman
No entanto, o acidente envolvendo Oliver Bearman no domingo (29) acendeu um alerta sobre segurança. O piloto da Haas se aproximava de Franco Colapinto, da Alpine, com uma diferença de cerca de 50 km/h entre os carros.
Ao desviar para evitar o contato, Bearman saiu da pista, atingiu a grama e perdeu o controle do carro a 308 km/h.
O incidente gerou pedidos por mudanças, com destaque para Carlos Sainz, da Williams, que se manifestou de forma contundente.
Chefe da Mercedes, Toto Wolff avaliou que parte das reações após a classificação foi exagerada, enquanto o dirigente da Williams, James Vowles, defendeu ajustes no formato classificatório sem comprometer as corridas.
“Acredito que é possível ajustar a partir do ponto em que estamos. Só precisamos garantir que faremos isso da maneira correta”, concluiu.
Com informações da CNN Brasil.
