Troca de acusações entre Givancir Oliveira e Walter Cruz amplia o embate público em meio à paralisação do transporte coletivo, que já é alvo de decisões judiciais e afeta milhares de passageiros na capital.

A crise provocada pela greve dos rodoviários em Manaus ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (21), após o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira, reagir duramente às declarações do comentarista político e especialista em gestão pública, coronel da reserva da Polícia Militar Walter Cruz. O embate, marcado por ataques pessoais e acusações, elevou ainda mais a temperatura do conflito que envolve trabalhadores, empresários, Prefeitura de Manaus e milhares de usuários do transporte coletivo.
Durante participação no programa Claro e Escuro, da TV Diário, Walter Cruz fez duras críticas à condução do movimento grevista e afirmou que a paralisação desrespeitou a Lei de Greve ao interromper totalmente a circulação dos ônibus sem aviso prévio à população.
Segundo o comentarista, serviços essenciais como o transporte coletivo possuem regras específicas que precisam ser cumpridas para evitar prejuízos aos usuários. Ele ressaltou que a população acabou sendo a principal vítima da paralisação.
“A população não pode ser penalizada. A população não pode ficar na rua aguardando, sabe Deus como voltar para casa. Isso é crime. Cabe ao prefeito Renato Júnior e ao diretor do IMMU tomar providências para que esse indivíduo seja preso”, declarou Walter Cruz durante o programa.
O comentarista também relembrou a greve dos rodoviários de 2011, quando decisões judiciais determinaram a retomada da circulação da frota, defendendo que o Judiciário adote postura semelhante diante do atual cenário.
Resposta em tom explosivo
A reação do presidente do Sindicato dos Rodoviários veio pouco depois, por meio das redes sociais, em um vídeo marcado por fortes ataques ao comentarista.
Sem rebater diretamente os argumentos jurídicos apresentados por Walter Cruz sobre o cumprimento da Lei de Greve, Givancir direcionou suas críticas à trajetória do coronel da reserva, questionando sua atuação na Polícia Militar.
Durante o pronunciamento, afirmou que Walter Cruz nunca comandou um quartel, classificou o comentarista como “incompetente” e disse que ele seria rejeitado pelos próprios policiais militares.
Givancir também mencionou supostas acusações de improbidade administrativa contra Walter Cruz e afirmou que continuará defendendo a categoria mesmo diante da possibilidade de prisão.
“Se for crime defender o pão na mesa do trabalhador, então eu sou criminoso. Se eu tiver que ser preso defendendo a minha categoria, irei com muito orgulho”, declarou o sindicalista.
Em outro trecho, intensificou os ataques chamando Walter Cruz de “coronelzinho de meia-tigela” e afirmou que sua categoria o apoia, em contraste com o que classificou como rejeição enfrentada pelo comentarista dentro da corporação militar.
Debate extrapola a greve
A troca de declarações evidencia que o debate sobre a greve deixou de se restringir às negociações entre trabalhadores, empresários e poder público, passando também para o campo político e das redes sociais.
Enquanto Walter Cruz sustenta que o movimento desrespeitou dispositivos previstos na legislação e defende medidas mais rigorosas por parte das autoridades, Givancir Oliveira afirma que sua prioridade é garantir os direitos da categoria, mesmo diante das críticas e das decisões judiciais.
O episódio ocorre em um momento de forte tensão no sistema de transporte da capital, após a paralisação total da frota, decisões da Justiça determinando a manutenção do serviço e negociações envolvendo Prefeitura de Manaus, Governo do Amazonas, Sinetram e o Sindicato dos Rodoviários.
