Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo

A segunda fase da Operação Disclosure, deflagrada nesta quinta-feira (25/6), ampliou o foco das investigações sobre a fraude bilionária nas Americanas. Além de ex-diretores da varejista, a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) passaram a apurar a possível participação de acionistas de referência da companhia, representantes e funcionários de alguns dos principais bancos privados do país, além de outros ex-integrantes da empresa. Os nomes dos envolvidos não foram divulgados pela PF.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça Federal também determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 54 bilhões, montante calculado a partir dos laudos periciais que estimam o tamanho das supostas fraudes contábeis investigadas.
Segundo a Polícia Federal, a nova etapa é resultado do aprofundamento das apurações iniciadas na primeira fase da Operação Disclosure, deflagrada em junho de 2024. As diligências desta quinta-feira têm como objetivo reunir novas provas, individualizar a responsabilidade dos investigados e preservar eventual ressarcimento dos prejuízos provocados pelas irregularidades.
As investigações indicam que as supostas manipulações contábeis teriam sido praticadas ao longo de vários anos para esconder a real situação econômico-financeira da Americanas. De acordo com os investigadores, o esquema teria permitido inflar artificialmente indicadores financeiros da companhia, ocultando seu nível de endividamento e transmitindo ao mercado uma percepção incompatível com a realidade.
Dois eixos concentram as apurações. O primeiro envolve operações conhecidas como risco sacado, modalidade em que instituições financeiras antecipam pagamentos a fornecedores. A investigação busca esclarecer se parte dessas operações foi registrada contabilmente de forma capaz de reduzir artificialmente a percepção da dívida da empresa.
O segundo eixo diz respeito às chamadas verbas de propaganda cooperada (VPC). Conforme a Polícia Federal, há indícios de que parte dos valores lançados nessa rubrica corresponderia a incentivos comerciais sem respaldo econômico efetivo, contribuindo para a elaboração de demonstrações financeiras supostamente incompatíveis com a realidade da companhia.
A investigação também apura se a valorização artificial dos resultados financeiros beneficiou administradores da empresa, que recebiam remuneração variável atrelada ao desempenho da companhia, além de investidores que negociaram ações durante o período das supostas irregularidades.
Os investigados são suspeitos, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa. A Polícia Federal ressalta que outros delitos poderão ser identificados à medida que as investigações avancem.
Até a última atualização desta reportagem, os investigados não haviam se manifestado. O espaço permanece aberto para posicionamentos.
Com informações do Metrópoles.
