
O presidente do São Paulo Futebol Clube, Harry Massis Junior, e empresas ligadas ao seu grupo empresarial acumulam R$ 28,4 milhões em dívidas tributárias junto à Prefeitura de São Paulo e à União, segundo levantamento baseado em certidões e registros oficiais da Procuradoria-Geral do Município e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). O empresário, que assumiu a presidência do clube em janeiro após a renúncia de Julio Casares, afirma, por meio de sua defesa, que a maior parte dos débitos está parcelada e vem sendo paga regularmente.
Controlador de uma rede de estacionamentos com atuação principalmente na região central da capital paulista e nos Jardins, Massis teve a situação fiscal de suas empresas analisada em documentos públicos. O levantamento aponta que as cinco empresas de estacionamento do grupo possuem pendências tributárias. Das sete empresas em que ele figura como sócio, apenas uma, do ramo de alimentação, não apresenta débitos fiscais.
O total das dívidas é composto por R$ 10,3 milhões em débitos municipais das empresas, R$ 17,2 milhões inscritos em dívida ativa da União e R$ 817,4 mil em IPTU referente a dois imóveis registrados em nome de Harry Massis, valores que, segundo a defesa, estão parcelados.
A empresa Massis Garagens, fundada em 2018 com outro nome e rebatizada no ano seguinte, concentra a maior parte das dívidas do grupo. De acordo com os registros, ela acumula aproximadamente R$ 10,2 milhões em débitos e permanece ativa e regular perante a Receita Federal.
Outra empresa do grupo, a Harry’s Estacionamentos, registra cerca de R$ 1,3 milhão em dívidas. Parte significativa do valor corresponde a multas aplicadas pela falta de entrega de declarações fiscais, além de débitos relacionados ao Imposto Sobre Serviços (ISS) e à Taxa de Fiscalização de Estabelecimentos.
Documentos da Procuradoria-Geral do Município mostram que mais de R$ 9 milhões da dívida municipal das empresas já são cobrados por meio de ações de execução fiscal. Enquanto parte dos valores foi objeto de parcelamento, outra parcela permanece sem acordo firmado.
Na esfera federal, três empresas do grupo aparecem com cadastro inapto na Receita Federal: Sissam Estacionamentos, H. Massis Junior Estacionamentos e Harry’s Estacionamentos. Juntas, elas acumulam cerca de R$ 14,17 milhões em débitos municipais e federais.
Dos R$ 17,2 milhões inscritos na dívida ativa da União, aproximadamente R$ 9,3 milhões estão vinculados à Massis Garagens. Também constam débitos de R$ 3,4 milhões da H. Massis Junior Estacionamentos, R$ 3 milhões da Harry Massis Administração, R$ 1,1 milhão da Harry’s Estacionamentos e R$ 443 mil da Sissam Estacionamentos.
Além das empresas, Harry Massis Junior também aparece como devedor em nome próprio na lista da PGFN. Segundo os registros, ele possui R$ 4,3 milhões distribuídos em 32 inscrições em dívida ativa da União. Parte desse valor está relacionada ao Simples Nacional, indicando que débitos empresariais foram redirecionados ao sócio-administrador, enquanto outra parcela corresponde a contribuições previdenciárias.
As inscrições mais recentes datam de 2025, ano anterior à sua chegada à presidência do São Paulo Futebol Clube.
Em nota, o advogado tributarista Ricardo Raduan, que representa Harry Massis e suas empresas, afirmou que a maior parte dos débitos está parcelada e vem sendo quitada regularmente. Segundo a defesa, as dívidas tiveram origem, em grande parte, durante o período da pandemia, enquanto outras ainda são discutidas na esfera administrativa em razão da complexidade da legislação tributária brasileira.
O advogado também afirmou que o grupo mantém compromisso com a transparência, a boa gestão e o cumprimento das práticas de governança e compliance, ressaltando que situações semelhantes são enfrentadas por diversas empresas brasileiras diante da complexidade do sistema tributário nacional.
